If it is true that positive emotions and positive thinking are beneficial to happiness, making them universal and indispensable requirements for flourishing is reducing the importance of human emotions repertoire. Too much focus on positive thinking and optimism, for example, may even have counterproductive effects leading to the development of feelings of frustration and discouragement for those who do not meet these conditions when in fact challenges and setbacks can also take place in a flourishing life. Effectively, positive emotions have no basis in all situations. Thus, the path to individual flourishing implies accepting the complexity of life which means the acceptance of the entire repertoire of human emotions and feelings, even those commonly tagged as negatives.

But after all, what is positive and negative in life?

Context matters

Positive psychology as the science that studies the conditions and processes that contribute to the flourishing and optimal functioning of people, groups and institutions (1), has been placing the context as a central point of the conception of positive. In this perspective, positive and negative are dynamic concepts anchored in the notion of dialectics rather than the traditional dichotomous approach where positivity and negativity arise as opposing poles. Thus the positive and the negative are associated with the context and not bound to a conceptual immutability which means that what is positive now may not be in another circumstance. This means that the notion of well-being is quite comprehensive and can embrace negative emotions as long as they serve the purpose of making individuals feel and function better (2).

Appreciate the wholeness of life

For me it has been meaningful to develop this attitude in which I allow myself to integrate some moments of melancholy and even pessimism without feeling that I am acting against my own flourishing. The daily pursuit of well-being implies accepting that in this search there are moments of greater fragility. As some authors pointed out, flourishing does not imply the absence of vulnerability but the appreciation and inclusion of the complex and ambivalent nature of existence (3). To this end, emotional agility should be put into practice to give wholeness to the attitude of happiness which is demonstrated by the acceptance that bad days are also useful in the construction of flourishing (4).

And how can we appreciate life in a wholly way?

The wisdom of yesterday and the science of today

Some scholars from positive psychology have made use of the wisdom from buddhist tradition and its link with positive psychology, applying them to flourishing (5). My poetic side leads me to sympathize with this relationship and for that reason I mention it when it comes to talk about the whole appreciation of life. The japanese concept of mono no aware consists in attributing relevance to the transience of things by making their beauty reside precisely in their ephemerality. In this state of mind, the acceptance of impermanence results in a true appreciation of the fragility and finitude of life. Despite the sadness inherent to ephemeral, the effect of this is softened by the serene joy of having witnessed the beauty of life, even if briefly. The awareness of this dialectic raises the ability to appreciate, favoring serenity when life goes well, but also maintaining hope when it does not.

About the Author: Rita is a psychologist from Portugal and she works in vocational training area. Lifelong learning is her motto. She loves science and poetry and all the products born from that union. She collects details from all over the world and likes to share them through writing and photography.

Abraçar a vida na sua plenitude

Se é verdade que as emoções positivas e o pensamento positivo são benéficos para a felicidade, torná-los requisitos universais e indispensáveis para o florescimento é reduzir a importância do repertório de emoções humanas. O demasiado enfoque dado ao pensamento positivo e ao optimismo, por exemplo, poderá até ter efeitos contraproducentes levando ao desenvolvimento de sentimentos de frustração e desânimo por quem não reúne estas condições quando, na realidade, os desafios e as contrariedades também podem ter lugar numa vida em florescimento. Efetivamente, nem sempre as emoções positivas têm fundamento numa dada situação. Por isso, o caminho para o florescimento individual implica aceitar a complexidade que a vida oferece onde se inclui todo o repertório de emoções e sentimentos humanos, mesmo os vulgarmente apelidados de negativos.

Mas afinal o que é isto do negativo e do positivo?

O contexto importa

A psicologia positiva, enquanto ciência que estuda as condições e processos que contribuem para o florescimento e funcionamento ótimo das pessoas, grupos e instituições (1), tem vindo a colocar o contexto como ponto central da noção de positivo. Nesta perspetiva, o positivo e o negativo são conceitos dinâmicos ancorados na noção de dialética ao invés da tradicional abordagem dicotómica onde a positividade e a negatividade surgem como pólos opostos. Assim, o positivo e o negativo surgem associados ao contexto e não presos a uma imutabilidade conceptual o que significa que o que é positivo agora poderá não o ser em outra circunstância. Isto indica que a noção de bem-estar é bastante abrangente podendo este albergar emoções negativas desde que estas sirvam o propósito dos indivíduos sentirem e funcionarem melhor (2).

Apreciar a vida em toda a sua amplitude

Para mim tem sido significativo desenvolver esta atitude na qual me permito integrar alguns momentos de melancolia e até pessimismo sem sentir que estou a ir contra o meu florescimento. A procura diária pelo bem-estar implica aceitar que nessa busca existam momentos de maior fragilidade. Como alguns autores esclarecem, o florescimento não implica a ausência de vulnerabilidade mas a apreciação e a inclusão da natureza complexa e ambivalente da existência (3) Para tal, deverá ser posta em prática a agilidade emocional suficiente para dar amplitude à atitude de felicidade a qual é evidenciada pela aceitação de que os dias maus são também úteis na construção do florescimento (4).

E de que forma a apreciação da vida pode ser feita na sua plenitude?

Das sabedorias de ontem à ciência de hoje

Alguns autores da psicologia positiva têm feito uso das sabedorias de tradição budista e da sua relação com a psicologia positiva, aplicando-as ao florescimento (5). O meu lado poético leva a que esta relação me agrade e que por esse motivo a mencione quando se fala da apreciação plena da vida. O conceito japonês de mono no aware consiste em atribuir relevância à transitoriedade das coisas fazendo residir a beleza destas precisamente na efemeridade que encerram. Neste estado de espírito, a aceitação da impermanência resulta numa verdadeira apreciação da fragilidade e finitude da vida. Apesar da tristeza inerente ao efémero, o efeito desta é minimizado pela alegria serena de se ter testemunhado a beleza da vida, ainda que fugazmente. A consciência desta dialética eleva a capacidade em apreciar favorecendo a serenidade quando a vida corre bem mas também a manutenção da esperança quando tal não sucede.

Acerca da autora: A Rita é psicóloga em Portugal e trabalha na área da formação profissional. A aprendizagem ao longo da vida é o seu lema. Gosta de ciência e de poesia e de todos os produtos que nascem dessa união. Coleccionadora de detalhes de todo o mundo, gosta de partilhá-los através da escrita e da fotografia.

Notes/ Notas
Gable, S., & Haidt, J. (2005). Positive Psychology. Review of General Psychology, 9, 1089-2680.
Ivtzan, I., Lomas, T., Hefferon, K. & Worth, P. (2016). Second wave positive psychology- embracing the dark side of life. Routledge Press
King, L. A. (2001). The hard road to the good life: The happy, mature person. Journal of Humanistic Psychology, 41(1), 51-72.
Kashdan, T., Biswas-Diener, R. (2014). The upside of your dark side: why beinh your whole self- not just your “good” self- drives success and fulfillment. Hudson Streer Press.
Lomas, T. (2016). The art of second wave of positive psychology: Harnessing Zen aesthetics to explore the dialectics of flourishing. International Journal of Wellbeing, 6(2), 14-29.

 

‘We Are The Positive Psychology People’

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