“A happy life must be to a great extent a quiet life, for it is only in an atmosphere of quiet that true joy dare live.”
Bertrand Russell,Kilimanjaro, Tanzania

The outstanding legacy of Christopher Peterson, PhD, includes an article entitled “A Quiet Positive Psychology”. There, C. Peterson makes a call to quiet the enthusiastic and “extrovert” Positive Psychology, so that introverts would be considered in its research and practices.

I can relate: I tend to see myself as an introvert and every now and then, I urge for a quieter Positive Psychology.

But, what is introversion? Introversion is a personality trait, which means it is a stable characteristic, or disposition, expressed in behavior patterns. For example, an introvert is usually reserved or reflective, shows preference for solitary activities, is self-sufficient and tends to feel overwhelmed in social gatherings.

Often, we assume that feeling energized in the presence of others – as extroverts are, not drained, as introverts often feel – is a manifestation of happiness. Some studies seem to confirm this assumption. Introversion, the preference for an inner world, is not predictive of happiness, while extroversion is (Pavot and Diener, 1990).

Can Quietness bring happiness?

A study conducted in Oxford, UK, by Hills & Argyle (2001), found that, among 133 participants who reported being happy, 33% were introverts. Therefore, happy introverts exist.

In this study, introverts that considered themselves happy, reported high levels in the variable satisfaction with life (Hills & Argyle, 2001).

So, the difference between a happy introvert and a happy extrovert could be in the path taken towards happiness. Contentment, meaning and inner peace are, probably, what makes an introvert happy. To confirm these hypotheses, further studies would be required, and that would be scientifically reasonable, Christopher Peterson wrote in the article mentioned above. And desirable, I would add.

Happiness is always tailor made

Positive Psychology is a fascinating area of scientific knowledge. However, while applying it or doing research, we ought to consider idiosyncrasies and particular contexts.

Ultimately, it is an individual responsibility to choose the path, define the pace and the destination while pursuing happiness, or the good life. It might take us longer, if we have to go through all the data; we might prefer to share our journey with only a few people; or we might regard inner peace, tranquility or stillness as our destination.

In my case, I would like to take the path towards what I call inner peace: stillness, counterbalanced with love. Love, for someone who enjoys being alone?

Bertrand Russell said: “Of all forms of caution, caution in love is perhaps the most fatal to true happiness.”

I remain cautious, introverts usually are. But, in a world that requires effective, not necessarily positive, coping mechanisms, I believe that love can avert my skepticism from becoming cynicism, my sense of humor from turning into sarcasm, and, of course, my desire for quietness from evolving into isolation or misanthropy.

And what is Happiness, if not Love? Even in its quiet and reserved version.

About the author: Raquel Monteiro is a proud stay at home mother of two, a girl and a boy. She holds a degree in Psychology and attended EMAPP at Lisbon, the city where she lives. She loves travelling, reading, and Raquel is amazed by the ocean and reboots in the mountains.

 

Um Elogio à Quietude

“Uma vida feliz deverá ser em grande medida uma vida serena, pois é apenas numa atmosfera de quietude que a verdadeira alegria ousa viver.
Bertrand Russell

No admirável legado de Christopher Peterson, PhD, há um artigo intitulado “A Quiet Positive Psychology”. Nele C. Peterson faz um apelo à quietude na entusiástica e “extrovertida” Psicologia Positiva e à inclusão dos introvertidos nas suas investigação e práticas.

Eu revi-me neste apelo: tendo a identificar-me como introvertida e, esporadicamente, anseio por uma Psicologia Positiva mais serena.

Mas, o que entendemos como introversão? A introversão é um traço de personalidade, ou seja, é uma característica ou disposição estável, traduzida em padrões de comportamento. Por exemplo, um individuo introvertido é frequentemente reservado ou reflexivo, demonstra preferência por actividades em solitário, é auto-suficiente e tende a sentir-se sobrecarregado em reuniões sociais.

É frequente assumirmos que sentir-se recarregado na presença de outros – como acontece com indivíduos extrovertidos, e não esgotado, como se sentem os introvertidos – é uma manifestação de felicidade. Alguns estudos parecem confirmar esta percepção generalizada. A introversão, a preferência pelo mundo interior, não é um preditor de felicidade, a extroversão sim (Pavot & Diener, 1990).

Pode a quietude trazer felicidade?

Um estudo conduzido em Oxford, Reino Unido, por Hills & Argyle (2001), reportou que, entre 133 participantes que se declararam felizes, 33% eram introvertidos. Assim, indivíduos simultaneamente introvertidos e felizes existem.

Neste estudo, os indivíduos introvertidos que se consideravam felizes, reportaram níveis elevados na variável satisfação com a vida (Hills & Argyle, 2001).

Parece que a diferença entre um introvertido feliz e um extrovertido feliz poderá estar no trajecto escolhido para a felicidade. Contentamento, significado, paz interior, poderão ser os factores que fazem um introvertido sentir-se feliz. É necessária investigação adicional para comprovar estas hipóteses, e isso seria cientificamente razoável, escreveu Christopher Peterson no artigo mencionado. E desejável, eu acrescentaria.

A Felicidade é sempre à medida

A Psicologia Positiva é uma área de conhecimento científico fascinante. Contudo, quando a aplicamos ou investigamos, deveríamos considerar idiossincrasias e contextos específicos.

Em última instância, a responsabilidade de escolher o caminho, definir a velocidade e o trajecto rumo à felicidade, é individual. Poderemos levar mais tempo, se tivermos de percorrer toda a informação disponível; poderemos preferir partilhar a viagem com um número reduzido de pessoas; ou poderemos estabelecer como destino a paz interior, a tranquilidade ou a quietude.

No meu caso, decidi rumar ao que eu designo como paz interior: serenidade contrabalançada com Amor. Amor, em alguém que aprecia estar sozinha?

Bertrand Russell disse: “Entre todas as formas de prudência, a prudência em relação ao amor é talvez a mais nefasta para a verdadeira felicidade.”

Eu mantenho-me prudente, as pessoas introvertidas normalmente o são. Mas, num mundo em que nos são exigidos mecanismos de coping eficazes, não necessariamente positivos, creio que o amor poderá evitar que o meu cepticismo se transforme em cinismo, que o meu sentido de humor evolua para sarcasmo e, claro, que o meu desejo de quietude me possa levar ao isolamento e à misantropia.
E o que é a felicidade, senão Amor? Ainda que na sua versão serena e reservada.

Referências
Hills, P., & Argyle, M. (2001). Happiness, introversion—extraversion and happy introverts. Personality and Individual Differences, 30, 595–608.
Pavot, W., Diener, E., & Fujita, F. (1990). Extraversion and happiness. Personality and Individual Differences, 11, 1299–1306.
Peterson, C. (2012). A Quiet Positive Psychology: A quiet positive psychology would be a scientifically reasonable one. Psychology Today Blog.
Russell, B. (first published 1924). The Conquest of Happiness.

Apresentação: Sou Raquel Monteiro, uma orgulhosa mãe a tempo inteiro de dois, uma menina e um menino. Sou licenciada em Psicologia e frequentei o EMAPP em Lisboa, cidade onde vivo. Adoro viajar, ler, fico maravilhada com o mar e recarrego-me nas montanhas.

 

‘We Are The Positive Psychology People’

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